Noel Guarany e Jayme Caetano Braun

Noel Guarany e Jayme Caetano Braun

Bossoroca tem um papel único na formação cultural do Rio Grande do Sul: é a terra que uniu, em diferentes momentos, dois dos maiores nomes da música e da poesia missioneira — Noel Guarany e Jayme Caetano Braun. Cada um, à sua maneira, transformou a paisagem, a história e a espiritualidade das Missões em arte universal.

Noel Guarany, nascido em Bossoroca, é considerado um dos pilares da música regional gaúcha. Suas canções narram a vida do campo, a simplicidade da lida campeira, as tradições indígenas, a espiritualidade missioneira e as emoções profundas da alma gaúcha. Noel não apenas cantava: ele interpretava a essência da região, dando voz às coxilhas, aos tropeiros, aos guaranis e aos trabalhadores rurais. Sua obra ajudou a consolidar o estilo missioneiro dentro da música nativista, influenciando gerações de músicos e admiradores.

Jayme Caetano Braun, embora nascido no Rincão da Timbaúva — à época distrito de São Luiz Gonzaga e hoje pertencente ao atual território bossoroquense — tornou-se conhecido como o maior pajador do Rio Grande do Sul. Sua habilidade na poesia oral, improvisada e ritmada criou um marco na cultura missioneira. Braun dominava a palavra com profundidade, filosofia e sensibilidade. Seus versos falavam da terra, das injustiças, das tradições, das guerras e do cotidiano simples do povo da fronteira.

A combinação de Noel e Jayme representa um encontro raro na cultura brasileira: dois artistas que, sem serem contemporâneos diretos de produção, se complementam como voz e palavra, canto e pajada, música e poesia.

Em Bossoroca e região, seus legados permanecem vivos em monumentos, memoriais, eventos, rodas artísticas, escolas, grupos de poesia e na preservação da cultura oral. São referências que ultrapassam fronteiras, representando o Rio Grande do Sul em festivais, pesquisas, homenagens e obras acadêmicas.

A história de Bossoroca é inseparável da contribuição desses dois artistas. Noel Guarany e Jayme Caetano Braun não apenas nasceram na Terra Missioneira — eles ajudaram a construir a sua identidade espiritual, cultural e poética.