Uma fortificação familiar que testemunha guerras, lendas e a história missioneira.
A Casa de Pedra do Rincão dos Antunes é um dos patrimônios históricos mais importantes do território de Bossoroca. Construída em 1830 por João Manoel Xavier Pedroso, ela nasceu da necessidade de defesa em um período marcado por conflitos, invasões e instabilidade política. O motivo imediato para sua construção foi trágico: o assassinato de seu filho Elias Pedroso, morto por castelhanos em 1828. A partir desse episódio — somado às constantes ameaças de ataques espanhóis na fronteira — João Manoel decidiu erguer uma verdadeira fortificação.

A Casa foi construída com paredes espessas de pedra, funcionando como um pequeno “forte” familiar. Sua arquitetura revela que não se tratava apenas de um lar, mas de um refúgio estratégico, capaz de proteger a família em momentos de tensão militar. A estrutura, ainda preservada, demonstra imponência para a época: muralhas sólidas, pequenas aberturas e um desenho pensado para resistir a tiros e invasões.
Durante a Revolução Farroupilha (1835–1845), a Casa de Pedra ganhou ainda mais importância. Tornou-se quartel-general de tropas farroupilhas, servindo como ponto de encontro, abrigo e base logística dos revolucionários. Seu posicionamento no Rincão dos Antunes, entre caminhos estratégicos usados por tropeiros e milícias, favoreceu seu uso militar.

Além do valor histórico, a Casa de Pedra também faz parte do imaginário simbólico da região. Uma lenda muito conhecida em Bossoroca afirma que Sepé Tiaraju, líder indígena missioneiro e figura emblemática da resistência guarani, teria pernoitado no local acompanhado de guerreiros missioneiros. Segundo o relato, eles vinham de São Luiz Gonzaga e seguiam rumo a Santiago das Missões, utilizando antigas trilhas de tropeio que atravessavam o rincão.

Embora não haja comprovação documental desse episódio, a lenda reforça o peso cultural do lugar. A Casa de Pedra representa um ponto de encontro entre a história oficial — marcada por guerras e resistências — e a memória oral, nutrida pelas tradições missioneiras transmitidas de geração em geração.
Hoje, o local permanece como um símbolo da força das famílias pioneiras, da resistência farroupilha e da riqueza histórica que moldou o território bossoroquense. Visitar a Casa de Pedra é entrar em contato direto com um dos cenários mais antigos e significativos das Missões e do interior do Rio Grande do Sul.
Timbaúva, Bossoroca – RS, 97850-000
